O que é

Parotidite: a inflamação da parótida, a glândula de saliva na frente da orelha

Parotidite é a inflamação da parótida, a maior glândula de saliva, que fica na frente e embaixo da orelha. A inflamação pode vir de vírus, como o da caxumba, de bactéria ou de causas que não são infecção.

Onde fica a parótida, a glândula que inflama na parotidite

Desenho da cabeça de perfil, olhando para a esquerda, com a pele translúcida. A parótida, em amarelo, fica na frente e embaixo da orelha, sobre o ângulo da mandíbula; dela sai o canal da saliva, um tubo claro que atravessa a bochecha em direção à boca, e um anel tracejado marca onde ele se abre, do lado de dentro da bochecha. Embaixo da mandíbula e embaixo da língua, as outras duas glândulas de saliva, em cinza.
Parotidite é a inflamação da parótida, a maior glândula de saliva, que fica na frente e embaixo da orelha. A saliva sai dela por um canal que atravessa a bochecha e se abre dentro da bochecha. Adaptado de Servier Medical Art (https://smart.servier.com), CC BY 4.0; o canal é desenho.

A causa mais típica muda com a idade. A mais conhecida na criança é a caxumba, seguida pela parotidite recorrente da infância. A infecção por bactéria é a forma mais típica no adulto mais velho, desidratado ou com pouca saliva. No Brasil não há contagem de qual causa é a mais comum.

Quem tem a parótida inchada deve passar por um médico, que separa a caxumba da infecção por bactéria e da inflamação por pedra. Quando é caxumba, o tratamento é em casa, longe de outras pessoas.

Parotidite, caxumba ou papeira: o que cada palavra quer dizer

Caxumba e papeira são a mesma doença: a parotidite epidêmica, causada por um vírus. Parotidite é qualquer inflamação da parótida.

Por isso, nem toda parotidite é caxumba. Diante de uma parótida inchada, a caxumba é uma das causas possíveis, e não a única.

Tipos

Tipos de parotidite: infecciosa e não infecciosa

A parotidite pode ser infecciosa ou não infecciosa. A infecciosa vem de vírus, como o da caxumba, ou de bactéria.

A parotidite não infecciosa tem outras causas:

  • Pedra ou estreitamento do canal da saliva.
  • Remédios.
  • Doenças autoimunes, como a síndrome de Sjögren.
  • Tumores.

Parotidite viral: a caxumba e os outros vírus

A caxumba é a parotidite viral clássica, mas outros vírus também inflamam a parótida. Entre eles estão:

  • Parainfluenza.
  • Epstein-Barr.
  • Influenza A, o vírus da gripe.
  • Coxsackie.
  • Echovírus.
  • HIV.

Parotidite bacteriana: quando a infecção vem de bactérias

A parotidite bacteriana surge quando a saliva fica parada. Isso ocorre por desidratação, por remédios que secam a boca ou por pedra no canal.

A glândula incha, dói e endurece. Pode sair pus dentro da boca.

O que acontece na parotidite por bactéria

Duas fotos reais de parotidite por bactéria. Na primeira, o lado direito do rosto de um homem, de perfil, com a orelha à vista e uma área inchada e avermelhada na frente e embaixo dela, contornada. Na segunda, uma boca aberta com uma gota branco-amarelada de pus na parte de dentro da bochecha, marcada por um anel: é a abertura do canal da saliva.
Na parotidite por bactéria, a glândula incha, dói e endurece, e pode sair pus dentro da boca, pela abertura do canal da saliva. Ela surge quando a saliva fica parada, por desidratação, por remédios que secam a boca ou por pedra no canal. Fotos: Dr atilla, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 (recortada); Fortunato F et al., Einstein (São Paulo) 2014, CC BY 4.0 (recortada). Figura sob CC BY-SA 4.0.

Parotidite aguda, crônica ou de repetição: o que muda

O que muda é o comportamento do inchaço ao longo do tempo. São três formas:

  • Aguda: um episódio que começa de repente e passa. O inchaço sobe em poucos dias e desce na semana seguinte, e esses tempos são os da caxumba.
  • Crônica: a glândula volta a inchar e doer muitas vezes, em geral por saliva parada ou canal obstruído.
  • De repetição na criança: é a parotidite recorrente da infância, com crises separadas por fases sem inchaço, que na maioria das crianças somem na adolescência.

Como o inchaço da parótida se comporta em cada forma de parotidite

Três linhas do tempo, uma embaixo da outra, com o inchaço da parótida no eixo vertical e o tempo correndo para a direita. Na parotidite aguda, uma só crise: o inchaço sobe depressa, desce e não volta. Na crônica, crises de inchaço que voltam muitas vezes até o fim da linha. Na recorrente da infância, quatro crises separadas por fases sem inchaço, marcadas com listras, e depois a linha fica sem inchaço até o fim.
A parotidite aguda, a crônica e a recorrente da infância se distinguem pelo comportamento do inchaço ao longo do tempo. Na aguda, o inchaço sobe em poucos dias e desce na semana seguinte, e esses tempos são os da caxumba.

Parótida que incha de novo não é caxumba de novo. Quem teve caxumba fica imune para sempre. O inchaço que volta pede investigar uma destas causas:

  • Saliva parada.
  • Canal obstruído.
  • Doença autoimune.
  • Parotidite recorrente, na criança.

Uma crise isolada se trata e costuma terminar. Quem tem mais de três crises de dor na glândula por ano deve ser encaminhado ao cirurgião de cabeça e pescoço, em geral com ultrassom das glândulas salivares. Esse é o critério de encaminhamento da rede pública do Rio de Janeiro.

Parotidite recorrente da infância: a criança que incha a parótida várias vezes

A parotidite recorrente da infância é uma inflamação da parótida que volta duas ou mais vezes em crianças, sem pus e sem pedra.

Ela costuma começar entre 3 e 6 anos. Na maioria das crianças, desaparece na adolescência.

Sintomas

Sintomas da parótida inflamada: inchaço, dor ao mastigar e febre

A parótida inflamada incha na frente e embaixo da orelha, dói ao toque e ao comer e pode dar febre.

Dois sinais variam conforme a causa. O mal-estar pode vir antes do inchaço na caxumba, e o pus pode sair na boca na parotidite bacteriana.

Como é o inchaço da parótida inflamada no rosto

Foto real da metade de baixo do rosto de uma mulher idosa, do nariz para baixo, de frente. O lado esquerdo dela, à direita da foto, está inchado na frente e embaixo da orelha, sobre o ângulo da mandíbula, que fica apagado; um contorno tracejado marca o inchaço, um ponto marca a orelha e outro o ângulo da mandíbula.
A parótida inflamada incha na frente e embaixo da orelha, dói ao toque e ao comer e pode dar febre. A fotografia não mostra a causa do inchaço, que só a consulta diz. Foto: Klaus D. Peter, Wikimedia Commons, CC BY 3.0 de (recortada).

Causas e risco

O que causa a parotidite e quem tem mais risco

As causas mais conhecidas são o vírus da caxumba e as bactérias que crescem com a saliva parada. A caxumba atinge sobretudo quem não foi vacinado.

A parotidite por bactéria é mais frequente em alguns grupos:

  • Idosos.
  • Pessoas desidratadas.
  • Diabéticos.
  • Quem usa remédios que secam a boca.

Como a saliva parada leva à parotidite por bactéria

Dois desenhos da mesma cabeça de perfil, olhando para a direita, com a pele translúcida. No primeiro, a saliva sai da parótida, a glândula amarela na frente da orelha, e segue pelo canal até a boca, com setas azuis ao longo do canal; um anel marca a abertura do canal, dentro da bochecha. No segundo, uma pedra branca bloqueia o canal e a saliva fica parada atrás dela, com pequenos bastonetes roxos que representam as bactérias crescendo; a parótida está inchada e avermelhada.
As bactérias que causam a parotidite crescem quando a saliva fica parada. Por isso a parotidite por bactéria é mais frequente em idosos, em pessoas desidratadas, em diabéticos e em quem usa remédios que secam a boca. Imagem ilustrativa, gerada por computador, a partir de Gray's Anatomy (1918), fig. 1024, domínio público; as setas e as bactérias são desenho.

Confira na caderneta a vacina tríplice viral, que protege contra a caxumba:

  • Até 29 anos: duas doses.
  • De 30 a 59 anos: uma dose.

Contra a forma bacteriana, beba água e cuide da higiene da boca, sobretudo se toma remédios que secam a boca.

Parotidite é contagiosa?

A caxumba, a parotidite causada por um vírus específico, passa de uma pessoa para outra. A parotidite por bactéria ou por pedra não se transmite como a caxumba.

A caxumba se transmite pela saliva e pela tosse, desde alguns dias antes do inchaço até cinco dias depois de ele começar. O inchaço dura em média cinco dias.

É um erro achar que só se pega caxumba de quem está inchado. Ela passa antes do inchaço e até de quem não tem sintoma.

Em que dias a caxumba passa de uma pessoa para outra

Linha do tempo da caxumba, em dias, sem números, com três faixas, cada uma num cartão com o seu nome e a sua frase. Uma linha vertical marca, nas três, o dia em que o inchaço começa. A faixa da transmissão começa esmaecida alguns dias antes desse dia e vai até cinco dias depois do início do inchaço; a faixa do afastamento da escola e do trabalho vai do início do inchaço até o mesmo quinto dia; a faixa do inchaço começa no mesmo dia e se apaga perto do quinto dia, a média da sua duração. Embaixo, um eixo de dias serve às três faixas.
A caxumba se transmite desde alguns dias antes do inchaço até cinco dias depois de ele começar, e passa até de quem não tem sintoma. Quem recebe o diagnóstico de caxumba fica em casa até cinco dias depois do início do inchaço.

Se o diagnóstico for caxumba, fique em casa, sem escola nem trabalho, até cinco dias depois do início do inchaço. As pessoas que tiveram contato com o doente devem conferir a vacina tríplice viral.

Como é diagnosticado

Amilase na parotidite: o que o exame mostra

A amilase do sangue pode subir na parotidite, porque a glândula de saliva também produz amilase.

O exame não confirma a causa da inflamação. Na caxumba, o médico faz o diagnóstico pelo exame clínico.

CID da parotidite: os códigos usados no atestado e no pedido de exame

Não existe um código único para parotidite. Na CID-10, usada hoje no Brasil, o código depende da causa:

  • B26: caxumba. Quando não há complicação, o código é B26.9.
  • K11.2: parotidite de outras causas, como bactéria. O nome na CID é sialadenite.
  • K11.3: abscesso da glândula.

B26 é só a caxumba. Na CID, o nome "parotidite infecciosa" está dentro do código da caxumba, e a parotidite por bactéria, que também é uma infecção, recebe K11.2.

O código é escolhido pelo médico conforme a causa confirmada. Em regra, o código só vai no atestado se você pedir ou autorizar, e essa concordância precisa estar escrita no próprio atestado.

O Brasil prevê começar a passar para a CID-11 em janeiro de 2027.

Como é tratado

Tratamento da parotidite, em resumo: depende da causa

O tratamento depende da causa. A caxumba não tem remédio específico, e o tratamento é feito com:

  • Analgésico.
  • Compressa fria ou morna.
  • Repouso em casa.

A parotidite bacteriana pede outro tratamento:

  • Antibiótico.
  • Massagem.
  • Muita água.
  • Estímulo da saliva.
  • Drenagem, se formar abscesso.

Quando procurar um médico

Quando marcar consulta e qual médico procurar

Uma parótida inchada pode ser vista primeiro no posto de saúde ou pelo clínico.

Três situações levam ao cirurgião de cabeça e pescoço:

  • Crises de repetição, mais de três por ano.
  • Inchaço que não passa.
  • Caroço na glândula.

Atendimento pelo SUS ou pelo plano de saúde

No SUS, comece na Unidade Básica de Saúde, que encaminha pela regulação ao cirurgião de cabeça e pescoço.

No plano de saúde, a consulta com especialista da rede credenciada sai em até 14 dias úteis. O ultrassom das glândulas de saliva é coberto pelo plano.