O que é

Parotidectomia: a cirurgia que retira a parótida, no todo ou em parte

A parotidectomia é a cirurgia que retira a parótida, a maior glândula de saliva, que fica na frente e logo abaixo da orelha. Pode sair só uma parte dela ou a glândula inteira.

O motivo mais comum da cirurgia é um nódulo na parótida. Cerca de 80% desses nódulos são benignos, ou seja, na maior parte das vezes o caroço não é câncer. O mais frequente deles é o adenoma pleomórfico, um tumor benigno.

Quem tem um caroço na parótida deve ser avaliado por um cirurgião de cabeça e pescoço, que é a especialidade a procurar, ou por um otorrinolaringologista. A avaliação inclui ultrassom e punção por agulha, e só depois dela se decide se a cirurgia é necessária.

Onde fica a parótida, a maior glândula de saliva

Desenho da cabeça de perfil com a pele translúcida: a parótida, em amarelo, na frente e logo abaixo da orelha, com o canal da saliva saindo dela na direção da boca; as outras duas glândulas de saliva, embaixo da mandíbula e embaixo da língua, apagadas em cinza.
Desenho da cabeça de perfil com a parótida na frente e abaixo da orelha, o canal que leva a saliva dela até a boca e, mais apagadas, as outras duas glândulas de saliva. Adaptado de Servier Medical Art (https://smart.servier.com), CC BY 4.0; o canal é desenho.

Tipos

Parotidectomia parcial ou superficial: quando só uma parte da glândula é retirada

Na parotidectomia parcial, também chamada de superficial, sai só a parte de fora da parótida, a que fica entre a pele e o nervo do rosto. O nervo do rosto, o nervo facial, se abre em ramos dentro da glândula e a separa numa parte de fora e numa parte de dentro, por baixo dele.

A parcial é feita em duas situações: quando o nódulo é benigno e está na parte de fora, e no câncer pequeno, de baixo grau e sem gânglios tomados. A parte por baixo do nervo fica no lugar.

O que sai na parotidectomia parcial e na total

Dois desenhos iguais do lado do rosto sem a pele, com a orelha, a parótida e o nervo do rosto, em branco, entrando na glândula e se abrindo em ramos; no primeiro, só a parte de fora da glândula está hachurada como a que sai e a parte de dentro fica; no segundo, a glândula inteira está hachurada.
O mesmo lado do rosto duas vezes, com o nervo do rosto se abrindo em ramos dentro da glândula. Na parcial, só a parte por fora do nervo sai e a parte por baixo fica. Na total, sai a glândula inteira. Anatomia a partir de Gray's Anatomy (1918), domínio público; a hachura e o nervo dentro da glândula são desenho.

Parotidectomia total: quando a glândula inteira é retirada

A glândula inteira é retirada no câncer, salvo o pequeno e de baixo grau, e em três situações de nódulo benigno:

  • Nódulo da parte de dentro da glândula, por baixo do nervo do rosto.
  • Vários nódulos nas duas partes da glândula.
  • Adenoma pleomórfico que voltou.

Como é diagnosticado

Exames e preparo antes da cirurgia: imagem, punção, jejum e remédios

Antes da cirurgia costuma-se fazer ultrassom com punção por agulha e, às vezes, ressonância ou tomografia. A punção, ou PAAF (punção aspirativa por agulha fina), examina o nódulo com uma agulha fina.

As etapas antes da cirurgia seguem uma ordem:

  1. Exame de imagem: o ultrassom e, quando é preciso, a ressonância ou a tomografia.
  2. Punção do nódulo com a agulha.
  3. Consulta em que os resultados são vistos e os remédios em uso são revisados, inclusive com o anestesista.
  4. Jejum no tempo que o anestesista der.
  5. Chegada ao hospital no dia marcado.

Na consulta com o anestesista, informe os remédios que usa. O jejum de comida é em geral de 8 horas, e o de líquidos claros de 2, mas vale o tempo que o anestesista der. A equipe diz quais remédios parar antes da cirurgia.

O preparo, do exame de imagem à chegada ao hospital

Cinco ilustrações em ordem: uma sonda de ultrassom encostada na pele na frente e logo abaixo da orelha; uma agulha fina entrando na pele ao lado da sonda; uma mesa com um laudo, óculos e caixas de remédio; um prato vazio e um copo virado numa mesa; a entrada de um hospital com uma bolsa pequena.
As etapas antes da cirurgia, na ordem: o exame de imagem, a punção do nódulo com a agulha, a consulta em que os resultados são vistos e os remédios revisados, o jejum e a chegada ao hospital no dia marcado. Ilustrações geradas por computador.

Como é tratado

Como é feita a parotidectomia: anestesia geral, corte perto da orelha e retirada do nódulo

A parotidectomia é feita com anestesia geral, por um corte na frente da orelha que desce para o pescoço. A cirurgia segue estes passos:

  1. Anestesia geral e o corte na frente da orelha, descendo para o pescoço.
  2. A glândula fica à mostra.
  3. O nervo do rosto é encontrado, afastado e protegido, e seus ramos são seguidos.
  4. O nódulo sai com a parte da glândula em volta, com o nervo inteiro no lugar.
  5. O corte é fechado, e um dreno sai pela pele.

O dreno é um tubo fino que sai pela pele e retira o líquido que se junta por baixo dela.

Antes da cirurgia, converse com o cirurgião sobre quanto da glândula sai e sobre o risco para o nervo do rosto. A revisão, cerca de uma semana depois da cirurgia, traz o resultado da peça. O resultado final do nódulo vem do exame anatomopatológico, a biópsia do que foi retirado.

A cirurgia, do corte na frente da orelha ao dreno

Cinco ilustrações do mesmo lado do rosto: o traçado do corte tracejado na frente da orelha, descendo para o pescoço; a pele afastada com a glândula amarela e um nódulo claro; o nervo do rosto, uma linha clara, achado no tronco e seguido nos ramos sob a glândula que resta; o leito sem a glândula com os ramos do nervo inteiros em leque; a pele fechada com pontos e um tubo fino saindo do pescoço.
Os momentos da cirurgia, na ordem: a pessoa anestesiada com o traçado do corte perto da orelha, a glândula à mostra, o nervo do rosto encontrado e seus ramos seguidos, a parte da glândula com o nódulo retirada com o nervo inteiro no lugar, e o corte fechado com o dreno saindo da pele. Ilustração gerada por computador sobre Gray's Anatomy (1918), domínio público; o nervo, o traçado do corte, os pontos e o dreno são desenho.

Parotidectomia com conservação do nervo facial: como o nervo do rosto é protegido

Quando o nervo do rosto não está tomado pelo tumor, o cirurgião localiza o tronco dele por pontos fixos da anatomia, segue os ramos e retira a glândula sem cortá-lo. O nervo facial é o nervo que move o rosto, e ele passa por dentro da parótida.

A fraqueza passageira no rosto depois da cirurgia é comum: um lado se move menos e a boca pode ficar "torta" por um tempo; depois, o movimento volta ao normal. A fraqueza definitiva do rosto é pouco frequente.

Evolução e prognóstico

Recuperação da parotidectomia: internação, dor, esforço e volta às atividades

Em geral fica-se de uma noite a dois dias no hospital. A dor é leve e cede com analgésico comum.

Evita-se esforço na primeira semana. A volta ao trabalho é em uma a duas semanas, e leva mais tempo em trabalho braçal ou se houve alguma complicação.

Cicatriz da parotidectomia: onde fica, tamanho e cuidados

A cicatriz fica na frente da orelha e desce para o pescoço, escondida nas dobras do rosto. Ela costuma clarear em alguns meses.

Os cuidados são dois: mantenha a ferida seca na primeira semana e use protetor solar de FPS 30 ou mais na cicatriz. Esse é o fator de proteção mínimo, e o protetor vale de 12 a 18 meses depois da cirurgia.

A cicatriz da cirurgia, da frente da orelha ao pescoço

Foto do lado do rosto e do pescoço de uma mulher, de perfil, com uma cicatriz fina e clara que desce da frente da orelha até o pescoço, abaixo da mandíbula.
A cicatriz da parotidectomia costuma descer da frente da orelha para o pescoço, escondida nas dobras do rosto; o lugar e o tamanho dependem da técnica e do nódulo. Imagem ilustrativa, gerada por computador; não é paciente.

Quando procurar um médico

Como fazer a parotidectomia pelo SUS ou pelo plano de saúde

Pelo SUS, a unidade básica de saúde encaminha o tumor da parótida à cirurgia de cabeça e pescoço ou à otorrinolaringologia. A regra de encaminhamento pode variar de um estado para outro.

Pelo plano de saúde, a consulta com o especialista tem de sair em até 14 dias úteis. Esse é o prazo máximo para a consulta acontecer, depois de cumprida a carência. A cirurgia é coberta pelo plano hospitalar, não pelo plano só ambulatorial.