O que é
Paratireoidectomia: o que é a cirurgia da paratireoide
A paratireoidectomia é a cirurgia que retira a paratireoide doente, a glândula do pescoço que produz hormônio demais e sobe o cálcio do sangue. Essa doença se chama hiperparatireoidismo primário, e a cirurgia é o único tratamento que a cura.
O caso mais comum, em cerca de 85% das pessoas com hiperparatireoidismo primário, é o de uma só paratireoide com um adenoma, que é um tumor benigno. Muitas vezes ele é descoberto num exame de sangue de rotina, em uma pessoa sem sintomas.
O sinal no exame é o cálcio alto com o PTH alto, ou com o PTH normal quando deveria estar baixo. PTH, ou paratormônio, é o hormônio que a paratireoide produz. Quem tem esse resultado deve confirmar o diagnóstico em novos exames de sangue e ser avaliado por um cirurgião experiente em paratireoide.
A avaliação pelo cirurgião vale mesmo quando o ultrassom e a cintilografia não mostram a glândula. O diagnóstico é feito pelos exames de sangue, não pela imagem.
Quem decide se a pessoa opera é o médico, com os exames em mãos.
As paratireoides no pescoço, atrás da tireoide
Paratireoide e tireoide: qual a diferença
A paratireoide e a tireoide são glândulas diferentes, vizinhas no pescoço. A tireoide tem forma de borboleta e faz o hormônio do metabolismo.
As paratireoides são em geral quatro, cada uma do tamanho de um grão de arroz, e controlam o cálcio. Apesar do nome parecido, elas não fazem o trabalho da tireoide.
Tipos
Paratireoidectomia total, subtotal ou parcial: o que muda entre os tipos
O que muda entre os tipos é quanto se tira:
- Parcial: o cirurgião retira só a glândula doente, quando é uma. É o caso comum.
- Subtotal: o cirurgião retira três glândulas e meia.
- Total: o cirurgião retira as quatro glândulas e reimplanta um pedaço de uma delas.
A subtotal e a total são feitas quando todas as glândulas estão doentes, como acontece na doença crônica dos rins.
O que sai e o que fica em cada tipo de paratireoidectomia
Sintomas
Pedras nos rins, ossos fracos e cansaço: os sinais que levam à cirurgia
Quem tem sintomas causados pelo hiperparatireoidismo tem indicação de cirurgia. Os motivos para operar são:
- Pedra no rim.
- Osteoporose ou fratura por osso fraco.
- Cansaço, falta de memória ou depressão causados pelo hiperparatireoidismo.
A dor nos ossos, sozinha, não está entre esses motivos. O que conta é a osteoporose, vista na densitometria, e a fratura.
Cansaço, falta de memória e depressão têm muitas outras causas. O médico é quem avalia, com os exames, se o sintoma de cada pessoa vem do PTH alto.
Cirurgia da paratireoide sem sintomas: quando é indicada
Mesmo sem sintomas, a cirurgia é indicada quando existe pelo menos uma destas situações:
- Cálcio mais de 1 mg/dL acima do limite do exame.
- Osteoporose ou fratura.
- Rim afetado, com pedra vista em exame de imagem ou com a filtração reduzida.
- Idade abaixo de 50 anos.
Esses critérios valem para o hiperparatireoidismo primário, que é a forma mais comum. Se o caso de cada pessoa é cirúrgico, quem responde é o médico, com os exames.
Como é tratado
Como é feita a paratireoidectomia, passo a passo
A paratireoidectomia é feita por um corte pequeno no pescoço, pelo qual o cirurgião retira a glândula doente. O caminho até o fim da cirurgia segue esta ordem:
- Diagnóstico: os exames de sangue confirmam a doença.
- Consulta: o cirurgião escolhe os exames de imagem e marca a cirurgia.
- Localização: os exames de imagem procuram onde está a glândula doente.
- Preparo: a pessoa leva todos os exames, faz jejum e acerta os remédios com o cirurgião.
- Cirurgia: com a pessoa anestesiada, o cirurgião faz o corte, encontra a glândula doente atrás da tireoide e a retira.
- Confirmação: o cirurgião confirma a retirada pela queda do PTH ou examina as quatro glândulas, e fecha o corte.
O preparo é o de qualquer cirurgia do pescoço. Remédios, curativo e retornos são orientados pelo cirurgião de cada pessoa.
Os passos da paratireoidectomia, da anestesia ao fechamento do corte
Evolução e prognóstico
O que acontece quando se tira a paratireoide
Retirada a glândula doente, o cálcio volta ao normal e as outras paratireoides assumem o trabalho.
Formigamento ou dormência por cálcio baixo é comum depois da cirurgia e em geral é passageiro. A reposição de cálcio que o cirurgião prescreve nessa fase costuma ser por um período, não para sempre.
A cura é confirmada nos exames de sangue aos seis meses. Com um cirurgião experiente em paratireoide, ela chega a 95% a 99% dos casos.
Esses resultados valem para o hiperparatireoidismo primário. Em quem tem doença crônica dos rins, o cálcio baixo depois da cirurgia é mais frequente e às vezes é permanente.
Depois da paratireoidectomia, do cálcio normal à confirmação da cura
Quando procurar um médico
Sinais de emergência depois da cirurgia: inchaço no pescoço que cresce, falta de ar e mudança na voz
Depois da cirurgia, um inchaço no pescoço que cresce, com falta de ar ou mudança na voz, é emergência: vá ao pronto-socorro ou ligue 192. O inchaço pode ser um sangramento que aperta a passagem do ar.
Formigamento ou cãibras não são emergência, mas pedem contato com o cirurgião. Se tiver formigamento ou cãibras, avise o cirurgião.
O inchaço no pescoço que é emergência depois da paratireoidectomia
Consulta com o cirurgião de cabeça e pescoço: o que levar e o que perguntar
Leve à consulta:
- Exames de sangue: cálcio, PTH e vitamina D.
- Densitometria.
- Ultrassom: o laudo e as imagens.
- Cintilografia: o laudo e as imagens.
Pergunte ao cirurgião:
- Quantas cirurgias de paratireoide ele faz.
- Qual é a taxa de cura.
- Quais são as complicações.
Paratireoidectomia pelo SUS ou pelo plano de saúde
A paratireoidectomia é feita pelo SUS e é coberta pelo plano de saúde.
No SUS, a consulta com o especialista vem por encaminhamento da unidade básica de saúde, e a cirurgia está na tabela do SUS.
No plano de saúde, os exames são cobertura obrigatória. A cirurgia também, mas só nos planos hospitalares.